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PROJECIOLOGIA

Atualizado: 14 de jun. de 2025

MINHA PRIMEIRA AVENTURA FORA DO CORPO


Este texto é um recorte do meu livro, A FELICIDADE É UMA ARTE que será lançado em breve.

Meg foi um presente de aniversário. Ela sempre abria um belo sorriso quando eu me referia a ela como ‘meu presente de 34 anos’. Era Março de 1993 quando procurei uma livraria de livros usados (sebo) na cidade de Salvador para comprar um presente para mim mesmo. Era o mês de meu aniversário. Queria algo muito especial e mentalizei que seria um presente bem diferente, inusitado, especial e marcante. Algo me conduziu àquela livraria e havia um sentimento insistente de que eu deveria comprar um livro sobre a maçonaria. Imaginei que naquela loja poderia, alem de encontrar o livro que desejava, ver muitas obras interessantes até porque minha tarde estava livre e planejava ficar ali por um bom tempo.

Livraria Brandão, era o nome do enorme casarão com imensas estantes cobertas de livros antigos, novos, empilhados, jogados e arrumados de diversas maneiras diferentes. Fiquei pasmo com a quantidade de volumes e apesar de se ter alguma organização pareceu-me difícil encontrar um livro específico no meio daquele mar de tinta, papel e letras.

A sensação era agradável, o cheiro de papel velho e a simpatia das pessoas davam ao ambiente um toque de saber e intelectualidade tal, que de certa forma, me senti orgulhoso de estar ali imerso em tanta informação. Comecei a andar entre as prateleiras, olhando sem nenhuma preocupação de escolher o tema que as plaquetas, escrita com pincel e fixadas acima da altura da cabeça, indicavam como assunto das obras de cada corredor.

Em um daqueles corredores encontrei a obra completa de Pietro Ubaldi. Dez mil páginas em 24 volumes. Fiquei encantado, folheei todos eles e decidi levar a Grande Síntese. Propus ao atendente que levaria um volume por mês até completar a coleção e assim fiz, contudo, não foi esse o grande presente que me dei naquele dia.

Em outro corredor, estreito e com altas prateleiras, sentei-me em um tamborete de madeira, próprio para o cliente olhar os livros com mais conforto ao lado das estantes. Meus olhos foram direto à um livro grosso, misturado à centenas de outros que me chamou a atenção: UNIVERSO PARALELO. Peguei o livro rapidamente, comecei a folhear e, fazendo uma leitura dinâmica, logo descobri que falava de projeção astral ou experiência fora do corpo. Era um assunto novo pra mim apesar de que eu já desconfiava da possibilidade de existir alguma literatura sobre o tema, nunca havia visto nada.

Passei cerca de duas horas lendo aquele livro, ali mesmo, ao lado da estante. O autor Kurt Budberg, se dizia monge Brâmane e discípulo de Melquizeque, um controvertido personagem bíblico do antigo testamento.

Em sua essência o livro propunha técnicas para sair do corpo de forma consciente. Apresentava técnicas muito difíceis que alem de exigir um rigoroso treinamento propunha total abstinência sexual. Fiquei muito impressionado com o fato de ter encontrado um material sobre o assunto. Resolvi comprar o livro imediatamente. Chamei o simpático atendente e pedi pra incluir o livro às minhas compras. O rapaz aproximou para pegar o livro com o largo sorriso de sempre e perguntou: – você gosta desse assunto? Vai ter um curso de projeciologia no dia 26 de Março com o pessoal do IIP, quer um folder?

  • -Claro! respondi meio surpreso.

  • Foi até uma mesa abarrotada de livros e papéis e logo voltou com o folder.

  • - É do pessoal do Dr. Waldo Vieira conhece? Perguntou, demonstrando bastante familiaridade com o assunto e com o tal Dr. Waldo Vieira.

  • - Não, eu não conheço. Respondi

  • - É do Instituto Internacional de Projeciologia (IIP) disse.

Fiquei um tanto acanhado com minha ignorância sobre um assunto que já tem até um instituto, assim mesmo questionei: -Você já fez esse curso?

  • - Não, mas conheço pessoas que fizeram no Rio de Janeiro e gostaram muito

  • - Ok! estarei lá no dia 26 com certeza. Afirmei.

Alguns dias depois fui para o curso que era dividido em 3 módulos. Aquele que começaria no dia 26, seria o primeiro módulo. Apreciei bastante, especialmente o tom quase cientifico que a professora (Mariângela) usava para abordar um tema tão místico, misterioso e etéreo. Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas interessadas no assunto. Falei com vários alunos que já se diziam projetores conscientes a um bom tempo.

Entusiasmado, comprei todos os livros que estavam disponíveis na banca do curso e mergulhei de cabeça para aprender as técnicas que eram bem mais simples do que as de Kurt e não exigiam nenhum sacrifício ou compromisso dogmático.

Cinco dias depois do meu primeiro contato direto com as técnicas projetivas, seria meu aniversário, o dia 31 de Março. Eu continuava empolgado, mal esperava chegar em casa pra começar as práticas na esperança de ter uma experiência fora do corpo durante a noite.

Estava bastante ansioso e isso, segundo a professora, poderia atrapalhar e retardar os resultados. Eu queria muito e na noite, véspera de meu aniversario, fiz todas as praticas e fui dormir com um enorme desejo de ter minha primeira experiência.

A despeito do esforço e da vontade, dormi pesado a noite inteira. Acordei por volta das quatro horas da manhã do dia 31 de Março. Fiquei frustrado. Na verdade fiquei muito triste mesmo. Levantei-me fui ate à cozinha, tomei um pouco de água e resolvi recostar-me no sofá da sala. Coloquei duas almofadas, recostei-me numa posição quase sentado e fechei os olhos pra tirar um cochilo.

Escutei, atrás de mim, uma voz feminina, em tom grave e com sotaque que parecia castelhano:

– E aí está se divertindo?

Virei-me e fiquei pasmo. De repente eu estava em uma duna de areias alvíssimas, afagado por uma brisa suave e fresca. O cheiro vindo do lado esquerdo anunciava que o mar estava bem próximo. O dia estava chegando. Os primeiros raios já se mostravam timidamente na linha do horizonte lá no fim do mar. Ela estava parada em minha frente com um sorriso alvo e largo como aquelas dunas. Repetiu a pergunta :

  • - Está se divertindo? Eu sou Meg. Que lugar lindo heim?!

  • - É, respondi timidamente! eu sou Onildo e sorri meneando a cabeça.

  • - Eu sei, respondeu com mais um sorriso.

  • - Sabe? Como? Indaguei curioso?

  • - Vou ajudar você. Afirmou com uma expressão de bondade. Você está em uma aventura semi-consciente, fora de seu corpo.

  • - Você acabou de deixar seu corpo lá no sofá, lembra?

  • - Meu Deus! Então é verdade? E como é isso estou sonhando? Ou morri?

Aproximou-se carinhosamente, colocou a mão sobre meu ombro direito e sempre sorridente disse:

  • - Fique calmo , você não morreu está mais ou menos sonhando. Você vai demorar algum tempo pra lembrar-se de hoje, mas esse é um belo dia em sua vida. Um presente marcante que foi conquistado pela sua persistência e vontade .

  • - Meg, quem é você?

  • - Sou como você. Eu também estou fora do corpo. Afastou-se cerca de dois passos como que para que eu pudesse vê-la melhor.

  • - Talvez eu tenha um pouco mais de experiência do que você e por isso resolvi ajudá-lo. É só isso. Acrescentou.

Era uma mulher morena, bem morena meio azulada, tipo jabuticaba. Cabelos longos e pesados caiam sobres os largos ombros. Os olhos negros e espertos eram cobertos por espessas e bem desenhadas sobrancelhas. Enormes cílios moviam-se inquietos dando a impressão de que os olhos falavam. Aparentava uma altura próximo à um metro e setenta e devia pesar 68 quilos o que fazia dela uma mulher bem torneada e muito bonita. A pele lisa e perfeita, os lábios sempre úmidos e carnudos davam ao rosto, moldurado pelos cabelos negros e pesado, um ar jovial, quase juvenil. Devia ter trinta anos não mais.

Nas mãos enormes, os dedos harmônicos se moviam enquanto falava. Pareciam reger o ambiente a sua frente. Seu olhar, embora sereno, parecia esconder uma certa austeridade e passava muita segurança.

– Venha! Pegou a minha mão e disse: vamos conhecer um lugar.

Senti um impacto como que se meu corpo tivesse chocado com uma barreira invisível mas, passei por ela. Essa foi a sensação.

– Chegamos , disse.

Era um enorme vale. Uma vasta campina de um verde exuberante deitava-se à nossa frente e estendia-se até as montanhas, azuladas pela distancia. Estávamos em um lugar muito alto, perguntei :

– Onde estamos?

– Isto é um zigurate, mas, temos que ir agora, venha!

– Você voltará aqui em outro momento. Piscou um olho e sorriu. Em seguida pegou minha mão e, de novo, senti aquele impacto e voltamos para as dunas de onde saímos anteriormente.

Meg parecia ser de origem inca, talvez peruana , ou mesmo indiana, pelo amendoado dos olhos.

– Meg de onde é você?

– Você vai saber. Respondeu rapidamente e parecia estar tensa mas, mantinha o sorriso.

-Temos que ir. Disse.

– Olhe, eu vou estar sempre por perto. Vou ajudar você. Não tenha medo. A vida é cheia de muita agitação mas, quando tudo passa você percebe que não esteve só. Riu, e completou: perceber antes que tudo passa é bem melhor.

Me abraçou forte e falou baixinho em meus ouvidos:

-Estou com você, não tenha medo. O cheiro suave e natural de jasmim que senti naquele abraço, permaneceu em meu corpo quando voltei ao sofá da sala onde dormia.


Desde este primeiro encontro Meg passou a fazer parte de minha vida. Nunca ousei comentar com alguém. Era muito estranha uma amizade cujo cenário era sempre o mundo onírico. Foi sempre muito confortante ter seus conselhos e pontos de vista equilibrados nas mais difíceis situações que sucederam aquele aniversário de 1993.

Oníldo






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